Banco de Gaia |
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Banco de Gaia Sob o pseudônimo de Banco de Gaia, o inglês Toby Marks tem dedicado a maior parte de sua carreira a expressar através da música seus conceitos e reflexões sobre temas que considera intrigantes. As meditações eletrônicas de um compositor techno/dance abstrato não são em geral associadas a apaixonadas polêmicas de cunho político ou a projetos meritórios e profundos. Entretanto, o seu disco de 1995, Last Train to Lhasa, aclamado pela crítica e indicado para o Prêmio Mercury, foi produzido com o intuito de dar maior visibilidade ao clamor do povo tibetano e foi extremamente bem sucedido no seu mix de música eletrônica com um engajamento político corajoso, apesar da infinidade de vezes que Banco de Gaia ouviu das pessoas que ‘dance music e política’ simplesmente não se misturam. Porque não há mensagens na dance music, só batidas e hooks, etc. Dando um salto para 2006, após uma década de questionamentos e CDs cada vez mais brilhantes, aqui estamos nós de novo, diante dessa alegremente inquieta criatura. Farewell Ferengistan captura a alma e o clima de Last Train To Lhasa, mas agora, em vez de se envolver com as tribos remotas de Shangri-la, Banco de Gaia expressa preocupações muito mais próximas de casa: o que estamos fazendo de nós mesmos? Aonde o nosso materialismo está nos levando? Não seria sensato rever as nossas posições? Ferengistan é uma palavra de origem incerta. Árabe, alemã, bizantina ou grega, suas raízes não são claras, mas ela é largamente utilizada na Ásia Central para se referir às terras do ocidente, às terras do homem branco, e carrega conotações de cobiça, materialismo e não-confiabilidade. E dizendo "Farewell Ferengistan", Banco está constatando o declínio da era dos exploradores, dos aproveitadores, dos banqueiros, dos investidores, dos acionistas e das estruturas e sistemas do mundo empresarial. No fim das contas, temos todos que encarar o fato de que o comércio suja a própria casa e que não podemos continuar a fazer as coisas desse jeito simplesmente porque as fontes estão secando e as vítimas a serem exploradas estão em extinção. O CD também se ocupa da natureza e seus encantos através de faixas como "Ynys Elen". Elen é uma antiga deusa celta, considerada por muitos como a protetora da Grã-Bretanha. Freqüentemente descrita como radiante e justa, Ynys Elen é o nome galês da ilha Lundy, no canal de Bristol. "Kara Kum" é o nome de um deserto no Cazaquistão. "Chingiz" se refere a uma lei aprovada pelo governo da Mongólia em 2004, que decretou que todos os mongóis tinham que adotar um sobrenome, prática que os comunistas tinham tornado ilegal nos anos 20 do século passado. A nova lei visava simplificar a administração e desencorajar o casamento intrafamiliar, mas acabou criando mais problemas do que soluções, porque uma grande parte da população escolheu o mesmo nome: "Borjigin", o nome do clã de Genghis (ou Chingiz) Khan. "The Harmonious G8" (título irônico) foi inspirado pela reunião de cúpula na Escócia em 2005. Um cantor de cada uma das nações do G8 foi convidado a criar uma pequena performance vocal improvisada. A única condição era de que terminassem a sua apresentação com a mesma nota. Os vocalistas gravaram os seus temas sem saber quem eram os outros cantores, e menos ainda o que eles tinham gravado. Era de se imaginar que essas gravações desconexas iriam soar absolutamente caóticas quando reunidas, mas isso não aconteceu! "Saturn Return" é sobre a idade entre 28 e 30 anos, quando Saturno completa o seu ciclo, e fica na mesma posição em que estava quando do nascimento da pessoa. E isso é de grande interesse para Banco, hoje, aos 42 anos. "Flow My Dreams, The Android Wept”, é baseado na canção favorita do escritor de ficção cientifica Philip K. Dick e numa peça do século XVI intitulada "Flow My Dreams", do compositor inglês John Dowland. "White Man's Burden" é um termo cunhado pelo escritor Rudyard Kipling e se refere a sua crença de que era o destino e o divino dever dos cristãos europeus, mais particularmente dos ingleses, levar a civilização e a palavra de Deus aos pagãos do mundo subdesenvolvido. Essa tradição talvez esteja sendo seguida por certos líderes mundiais, que acreditam ter a missão advinda das estrelas de levar a "liberdade" para toda a humanidade. Toby lembra que tanto George W. Bush quanto Tony Blair falaram recentemente de sua relação com 'Deus'. Farewell Ferengistan é um CD sobre a 'perplexidade global' da humanidade. Depois de 15 anos de criação musical, é fantástico ver que Banco de Gaia, mais do que nunca, se mantém ousado, experimental e determinado em seus caminhos. Toby Marks influenciou muito músicos, e nos Estados Unidos e Europa Banco de Gaia é altamente respeitado por suas inovações e seus CDs de beleza estonteante e alta qualidade. |
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