Gaudi + Nusrat Fateh Ali Khan |
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Gaudi + Nusrat Fateh Ali Khan
Dub Qawwali Ustad Nusrat Fateh Ali Khan era e ainda é considerado um dos maiores Qawwals (cantores de música qawwali) do mundo. Ele é uma verdadeira lenda na sua terra natal, o Paquistão, e levou a sua mensagem de paz, amor e espiritualidade aos palcos de todo o mundo, angariando para si o título de mais importante embaixador da música Qawwali do Paquistão. As origens da música Qawwali remontam a mais de 700 anos, às canções espirituais persas Samah e à crença mística do Sufismo. Então, o que acontece quando você junta uma das vozes mais reverenciadas do mundo a um veterano da produção musical com 26 anos de experiência? Gaudi, um artista baseado em Londres, dá a resposta em Dub Qawwali, CD que mistura estilizações dub orgânicas e digitais com os vocais do admirado Nusrat Fateh Ali Khan. O resultado é uma obra dinâmica que, com o mais absoluto respeito, mistura as canções qawwali de Khan com o dub jamaicano, usando as fantásticas técnicas de estúdio do século XXI. Dub Qawwali celebra a vida de Nusrat Fateh Ali Khan e está sendo lançado pela Six Degrees Records em 2007, ano do décimo aniversário da sua morte. Por um feliz acaso, Brian Allen, o empresário de Gaudi, comprou os direitos da obra de Nusrat Fateh Ali Khan do período de 1968 a1974. Allen entregou uma faixa dessa fornada para seis produtores, incluindo Gaudi, para um projeto de remixes, e enviou o resultado para o selo original de Khan no Paquistão, Rehmat Gramophone. A empresa adorou a versão de Gaudi e lhe ofereceu acesso integral às gravações de 30 anos atrás, inclusive partes com performances vocais raras e inéditas. Eles enviaram os rolos para o seu estúdio em Londres e Gaudi começou a trabalhar em Dub Qawwali. O ano era o de 2005. O disco demorou dois anos para ficar pronto. Outros produtores, inclusive o indiano Bally Sagoo e o britânico Massive Attack, já tinham feitos remixes de trabalhos de Khan, que morreu em agosto de 1997, mas Gaudi se esmerou em dar um enfoque original ao dubbing do som do Imperador do Qawwal. O projeto de forma nenhuma se resume a “corte e colagem”, como Gaudi insiste em deixar bem claro: “Não é um disco de remixes. Eu recriei as faixas, adicionando novas composições e um clima reggae. Estilisticamente, estou tentando fundir culturas, gêneros e sons diferentes, mantendo o amor como fio condutor.” Para Gaudi, há uma conexão direta entre as mensagens de solidariedade e amor pela humanidade do roots reggae e as canções espiritualizadas de Khan, canções compostas na Pérsia do século VIII. Gaudi é um expert tanto na música de Khan quanto no dub, e entre seus produtores jamaicanos favoritos estão King Tubby, Scientist, Mad Professor e Lee “Scratch” Perry, com quem Gaudi trabalhou em 2005. Sobre esse gênio dos estúdios, Gaudi disse o seguinte:“[Perry] me ensinou a coisa mais importante em produção musical: seja você mesmo e faça seu próprio som.” Gaudi vem buscando a sua sonoridade única desde Basta Poco (Polygram), o disco de 1990. Desde então, ele lançou 11 CDs solo, 80 remixes (de artistas como Bob Marley, Simple Minds e Ojos de Brujo) e foi incluído em 100 compilações. Seu disco de 2004 para a Interchill, Bass, Sweat & Tears, foi o mais vendido do selo. Ele trabalhou em conjunto com a lenda viva do ambient-chill Pete Namlook (no disco Re:sonate da FAX Records) e com astros do reggae do calibre de Horace Andy e Dennis Bovell. Dub Qawwali é uma expansão do som eletrônico suave e eclético do deep-dub de Gaudi. O disco abre suavemente com os sons delicados de “Bethe Bethe Kese Kese,” faixa que repousa sobre órgãos borbulhantes e arranjos de cordas típicos do sul da Ásia em cima de um ritmo de reggae contínuo. “Essa faixa foi bem emotiva e me deu a direção e a energia que ficam claras no resto do disco,” comenta Gaudi. “Tera Jana Kere Rang Lawe” é um dub de ritmo médio, alegre, onde a voz de Khan ecoa meditativa por sobre um piano percussivo e um sarangi dedilhado com delicadeza. “Dil Da Rog Muka Ja Mahi” é inspirado pelo grupo alemão de música eletrônica Kraftwerk, enquanto “Ena Akhiyan Noo” é um reggae dançável que situa o canto etéreo de Khan numa bucólica paisagem sonora. Não é necessário entender urdu, punjabi ou persa para sentir as emoções evocadas por Dub Qawwali, um projeto no qual o complexo método de produção de Gaudi foi cuidadosamente planejado. “Como na maioria das minhas produções, usei equipamentos de estúdio antigos, analógicos, e técnicas de produção de dub como ecos de fita, amplificadores valvulados, teclados fender Rhodes, reverberadores de mola e sintetizadores Moog,” revela Gaudi sobre o seu processo de gravação - uma empreitada que, com certeza, envolveu alguns desafios. “Eu tive que ter um cuidado especial com os vocais de Nusrat porque eles foram gravados originalmente no mesmo canal do harmônio indiano (um tipo de acordeão de mesa),” diz ele. “Tive que cortar algumas freqüências primeiro e depois recriá-las artificialmente; essa foi a parte mais difícil e delicada.” A atenção de Gaudi aos detalhes valeu a pena. Dub Qawwali revive os vocais de Nusrat Fateh Ali Khan de uma forma verdadeiramente notável – uma meta alcançada magistralmente, dada a estatura de Khan. Esse lendário artista paquistanês inspirou gente como Peter Gabriel, Michael Brook e Eddie Vedder e é detentor do recorde mundial do Guinness como o artista Qawwali com o maior número de discos gravados – um total de 125. Gaudi, consciente da gravidade de retrabalhar o “Pavarotti do Paquistão,” se sentiu motivado a fazer o seguinte comentário: “Após 26 anos de atividade musical, eu tenho que dizer que essa foi a minha produção mais importante.”
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