Karsh Kale |
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Karsh Kale Broken English é com certeza o trabalho mais eclético de Karsh Kale até agora. Aqui, esse inglês de ascendência indiana criado em Nova York, alcança um perfeito equilíbrio entre a sua herança musical asiática e o rock'n'roll, o hip hop e o atmospheric pop. Para o seu terceiro CD de estúdio, Karsh convidou um grupo de colaboradores do mais alto nível, entre eles MC Napoleon, as vocalistas Trixie Reiss (do Crystal Method) e Dierdre (do Ekova), e mais: o premiado compositor de trilhas para Bollywood (a Hollywood da Índia) Salim Merchant. Karsh Kale (pronuncia-se Cãrch Calêi) passou grande parte dos últimos cinco anos vendo os críticos de música tentando descrever o seu som como um tipo de híbrido entre a música oriental e a ocidental, entre o tradicional e o eletrônico. O fato é que a sua meta inicial de inserir a música clássica indiana no mainstream do pop ocidental realmente o levou a criar uma música eletrônica trans-global que rompe as barreiras entre os gêneros. Como a sua contemporânea M.I.A., uma rapper do Sri-Lanka, Karsh achou uma forma de incorporar as suas raízes musicais a um contexto eminentemente moderno. O seu primeiro CD solo, Realize (2001), abriu as portas para esse jovem produtor/percussionista de tabla se estabelecer como uma força do movimento Asian Massive – um fenômeno centrado nas pistas de dança de vários continentes. Já nessa época, Karsh dizia aos críticos que o seu objetivo era “levar a música um passo à frente.”, e isso incluía shows ao vivo. Logo viria o próximo CD, Liberation, um projeto levado a cabo com esmero e precisão e passível de ser tocado ao vivo. Uma outra faceta do “passo à frente” seria atingir um ponto em que elementos do sul da Ásia fossem aceitos como parte integrante da linguagem do mainstream pop. Com seu mais recente CD, Broken English, Karsh abriu uma trilha através do underground da world music e subiu à superfície com um disco que é puro pop global. A faixa de abertura, “Manifest”, já estabelece o território musical do disco. MC Napoleon manda um rap enquanto Vishal Vaid canta, e esse duelo bilíngüe é ecoado por percussão ocidental e os sons do dhol (um tambor em formato de barril). “Dancing at the Sunset”, com vocais de Todd Michaelsen, a nova aquisição da banda, usa a linguagem do rock e da dance music, emoldurada por sinuosas cordas carnáticas e ritmo marcado pela tabla, elementos que integram de forma orgânica a textura da canção. “Free Fall”, com vocais de Trixie Reiss (mais conhecida pelo seu trabalho com o Crystal Method), já nasceu um hit. A faixa tem também a participação de Sabiha Khan e seus sedutores vocais indianos. A música estabelece uma perfeita combinação não só entre a sonoridade dos dois idiomas, como também entre o tom sensual de Trixie e a espiritualidade hipnotizante dos vocais de Sabiha. E tudo isso acompanhado por uma base baixo/bateria de muito peso. Ultimamente, Karsh Kale vem resistindo cada vez mais ao uso de palavras como “exótica" para descrever a sua música. “Essa música é de Nova York,” ele declarou a um jornalista. “E ela não deveria ser tratada diferente de qualquer outra música de Nova York.” E ele está certo. Tem o Bhangra e o Bollywood de Jackson Heights, assim como tem o hip hop do Brooklyn e do South Bronx, a música eletrônica dos nightclubs do Chelsea e o rock do Lower East Side. Um das características que faz de Karsh uma figura central na emergente cena musical internacional é o fato de ele ser tão difícil de rotular quanto a sua música. Ele vive e trabalha em Nova York, mas nasceu em Londres, de pais indianos. A sua banda de palco, que conta com a cantora Vishal Vaid, é capaz tanto de arrebentar no groove quanto de levar a ghazal, um tipo de poesia e música clássica leve que remonta a séculos de história. Para gerações de americanos que se identificam com Karsh, esses estilos musicais “exóticos” não são de forma nenhuma exóticos – eles cresceram ouvindo esses sons. Ao longo de seus três discos, Karsh e seu pessoal evoluíram de uma leve mais consciente fusão de música asiática com música ocidental para o atual estado de arte, que Karsh chama de “rocktronic orgânica” – indefectivelmente indiana e completamente americana. Como o próprio Karsh indica, Broken English é um mix orgânico de rock, rap, música eletrônica, música clássica indiana e música de cinema indiano. Pense numa molécula de DNA com uma hélice quíntupla, cinco faixas em vez de duas. Algumas das melhores composições de Karsh têm a participação de outros artistas da Six Degrees como o MIDIval PunditZ e Dierdre Dubois. “Beautiful” é uma balada lenta impulsionada pelo baixo e a programação de percussão de Karsh. Os vocais de Sophie Michalitsiano (do Sparlklehorse) dão o toque internacional usando samples dos mestres do beat de Nova Deli, o MIDIval PunditZ. “Innocense and Power” é outra balada, agora construída sobre um pano de fundo brilhante composto por instrumentos eletrônicos e um piano acústico que soa como um tipo de ghazal contemporâneo. O diálogo de vozes entre Dierdre, a ex-líder do Ekova, e Vishal Vaid, torna indistinta a separação entre os dois estilos musicais. Um dos mais acachapantes efeitos da música trans-global de Karsh vem na faixa “Louder Than Bombs”, onde a mensagem pacifista de Todd Michaelsen é misteriosamente aprofundada pelos vocais indianos de Visha Vaid. Com o pop ocidental atingindo todo o mundo habitado, não será surpresa se a linguagem musical se transformar num tipo de Broken English (Inglês Capenga). Na sua própria versão de inglês capenga, Karsh Kale dá uma pala da sonoridade dessa nova linguagem. |
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