Cheb I Sabbah
 
 
 

Cheb I sabbah


 

Cheb i Sabbah
La Ghriba: La Kahena Remixed

Com La Kahena, o argelino Cheb i Sabbah fez um retorno às suas raízes norte-africanas. Com a participação de várias cantoras da sua região, Cheb criou um folk contemporâneo, pleno da autenticidade de cerimônias que levam ao transe, temperado pela mágica de sua inconfundível técnica de produção, sua marca registrada. Agora, a transformação e a mistura continuam, pois Cheb escolheu pessoalmente uma equipe de onze remixers para desenvolver e transformar ainda mais o som do La Kahena. O resultado é La Ghriba: La Kahena Remixed, um marco no movimento da música eletrônica contemporânea.

Cheb i Sabbah saiu da Argélia, sua terra natal, na década de 60 e desenvolveu uma brilhante carreira, mesclando música do mundo inteiro em caleidoscópicos coquetéis musicais para as pistas de dança. Os seus três primeiros CDs para a Six Degrees, Shri Durga (1999), MahaMaya – Shri Durga ReMixed (2000) e Krishna Lila (2002), são clássicos cult magistrais onde as tradições consagradas da Índia se fundem com o universo de possibilidades aberto pela atual tecnologia de gravação. Essa trilogia o colocou como um artista único, que cria pontes entre culturas com um som profundamente tocante, enriquecido pela sua magia de DJ e pela estética da world music. Seu quarto lançamento foi um DJ mix contínuo, intitulado AS FAR AS, no qual as tradições da Ásia, da Arábia e da África, principais fontes de inspiração de Cheb, estão representadas. É como se o ouvinte estivesse num de seus fantásticos sets ao vivo. Depois desse trabalho, ele voltou as suas atenções para o norte da África com o La Kahena.

Assim como MahaMaya transformou a música de Shri Durga, La Ghriba dá uma injeção de energia no La Kahena. Esse projetofoi uma aventura global e uma jornada pessoal para Cheb, mas quando chegou a hora do remix, ele quis acrescentar novas idéias. "Quando você faz um disco como La Kahena, não há como dizer 'quero fazer uma faixa de drum-and-bass, depois eu vou fazer um dub, um trance, um hip hop.' Eu não penso assim. Eu só faço as músicas e, como elas saem, é o que elas são. Então, se você der o próximo passo, se você questionar onze pessoas diferentes, você vai receber onze vibrações criativas diferentes. A idéia dos remixes é forçar a barra, fazer com que a coisa fique mais voltada para a pista de dança, basicamente com menos letra e mais ênfase na batida e na dança, em vez de na música original.", disse Cheb, que começou chamando gente que ele conhecia, tanto os famosos quanto os não tão famosos, para participar do projeto.

Sandeep Kumar, que fez um remix super swingado de “Toura Toura” para arrasar nas pistas, é um jovem DJ de bhangra que mora no sul da Califórnia. Nas casas noturnas, Kumar muitas vezes abriu os shows de Cheb, que “gostava da energia dele”. O primeiro remix completo de Kumar é a própria simplicidade. Para Cheb, a faixa é um grande exemplo da máxima que ele costumava ouvir do seu mentor, Don Cherry: “A simplicidade é muito difícil de se atingir.”

Cheb gravou o material que serviu de fonte para o La Kahena no Marrocos e, enquanto estava em Marrakech, seu filho, o rapper Elijah Opium,fez amizade com o pessoal de um grupo local de rap chamado Fnaïre. Não levou muito tempo para descobrir que o Fnaïre era um dos grupos de rap que estava arrebentando no Marrocos. O Fnaïre compartilhou o palco com Cheb no Festival de gnawa de 2005, em Essouira e, no La Ghriba, eles remixaram a música “Sadats” com um rap swingado e espiritual como um cântico. Dois outros grupos marroquinos também deram a sua contribuição para o La Ghriba. Tahar e Farid do grupo marroquino MoMo, radicado em Londres, dão uma pegada completamente diferente a “Sadats: The Sufi Sonic Mix”. Aqui, o sentimento das raízes perpassa toda a música, com o próprio Tahar acrescentando o som de seu guimbri, um instrumento marroquino ancestral do banjo. Veteranos da música marroquina moderna, Adberrahim Akkaoui e Pat Jabbar surpreenderam Cheb escolhendo o que ele considerou uma das tarefas mais difíceis em La Kahena. Atualmente conhecidos como Dar Beida 04, Akkaoui e Jabbar disparam uma estonteante sessão de percussão em “Alla Al ‘Hbab: The Hydrophobia Mix”. O baixo ruge, as mulheres gemem e um violino áspero toca em loop, fazendo a música evoluir até levar a pista a um transe total.

Cheb trouxe o Japão para o mix convidando Makyo, um DJ "zen dub" que está na ativa desde 1993. Cheb já se correspondia e trocava música com Makyo, também conhecido como Gio, há muito tempo. Makyo saiu com um groove funkeado em 4/4 em cima de um baixo sintetizado em 6/8, lançando a poliritmia da música africana no tecno-espaço antes de encaixar sons acústicos da nay (uma flauta de timbre grave) e cânticos e lamentos femininos.

Cheb foi visitar outro velho amigo via ciberespaço, Yossi Fine, baixista, produtor e idealizador do ExCentric Sound System, um grupo que costura música africana com techno-beats e música eletrônica. Os dois finalmente se encontraram pessoalmente em 2004, e Cheb lhe deu uma cópia do La Kahena. O resultado foi “Jarat Fil Hub: The Chalice Remix”, que habilmente entrelaça elementos de “Toura Toura”, enquanto alterna  um trance pulsante com rápidos riffs de violino.

Temple of Sound é uma criação de Neil Sparkes e Count Dubulah, veteranos do Transglobal Underground. Em “Esh ‘Dani, Alash Mshit: Ray of Light Club Mix”, eles pouco a pouco vão construindo uma estrada para o êxtase, com o auxílio luxuoso da incendiária vocalista Cheba Zahouania, uma lenda viva do raï. Temple of Sound impressionou Cheb particularmente criando não um, mas quatro remixes dessa música, e um deles aparece na compilação anual da Six Degrees Traveler ’06. No remix de Temple of Sound, o canto de Cheba “Algérie, San Francisco” faz uma alusão à própria biografia de Cheb, pois esse mestre DJ passou um bom tempo na Califórnia. Também há outras conexões com a Califórnia. Em “Alkher Illa Doffor: The Bassnectar Remix”, o produtor Bassnectar de São Francisco, também conhecido como Lorin Ashton, dá um gás no ritmo para pô-lo à altura da energia do bhangra, do raga e do dub, estilos que ele domina. The Chakadoons, Marc Cazorla e Alex Stiff, que trabalham como remixers para Quincy Jones, ficaram intrigados com o talento de Cheb i Sabbah, que fez pessoalmente o começo dessa releitura de “Toura Toura”. Essa faixa incorpora a performance dos próprios Chakadoons na guitarra, no baixo e no Fender Rhodes, enquanto deixa praticamente intacto o sinuoso groove Gnawa da música.

O set termina com o trabalho de dois velhos amigos de Cheb, ambos veteranos calejados da world music eletrônica. O baixista, produtor e dono de selo Bill Laswell é o decano virtual do movimento. Ele dá um tratamento sutil a “Esh ‘Dani, Alash Mshit”, começando com sons elementais – vento e água – e uma forte levada por trás do vocal extraordinário de Cheba Zahouania. "O Bill é tão tranqüilo, tão discreto! Ele me mandou o remix, e eu perguntei se ele já tinha dado um título para a faixa. Aí ele disse: 'dá o nome você mesmo'.”, contou Cheb. Para a faixa final, “Im Ninalou”, o artista bebe na fonte  de Gaurav Raina do Midival Punditz, também integrante da família Six Degrees. O mix de Raina é grandioso e dramático com um baixo pesado, uma percussão crepitante e sons de ambient electronica. Um perfeito um ponto de exclamação para finalizar um trabalho novo e ousado.

Da energia do bhangra ao rap de rua do Marrocos, ao trance e ao dub - essas novas combinações são algumas das muitas tendências das pistas de dança internacionais. Com La Ghriba, o DJ e produtor argelino Cheb i Sabbah solidifica sua posição pioneira e sua influência visionária sobre um mundo em constante mutação: o mundo da música eletrônica transglobal.


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